A cidade de Camapuã (MS) foi abalada na madrugada de quarta‑feira, 9 de julho, quando a morte de uma bebê de 1 ano e 9 meses revelou indícios de violência sexual dentro da própria família. O pai, de 28 anos, confessou o abuso à Polícia Civil e permanece preso.
Segundo o delegado Matheus Vital, responsável pela investigação, o suspeito detalhou como cometeu o estupro após ser questionado pelos investigadores. Ele foi detido em flagrante por estupro de vulnerável com resultado morte e teve a prisão convertida em preventiva; a decisão agora aguarda homologação judicial.
A mãe da criança, ex‑companheira do investigado, declarou inicialmente desconhecer o crime. Contudo, a Polícia Civil apura se houve omissão ou negligência de cuidados. Caso fique comprovada a passividade, ela poderá responder pelos mesmos delitos em concurso com o autor.
Histórico médico delicado
A vítima usava traqueostomia e havia sido internada no Hospital Universitário (HU) de Campo Grande em 28 de junho. Na ocasião foram diagnosticadas infecção na cânula, larvas, piolhos, pneumonia e quadro de convulsões. Depois de cirurgia em 30 de junho para remoção das larvas e troca da cânula, a criança recebeu alta dois dias antes da morte. O HU será oficiado para fornecer detalhes do tratamento, e a investigação já considera a hipótese de maus‑tratos anteriores.
Do atendimento médico ao flagrante
Na manhã de quarta‑feira, a menina foi levada por familiares a um posto de saúde com falta de ar e, devido à gravidade, transferida ao Hospital Municipal de Camapuã, onde chegou sem vida. O médico de plantão detectou sinais de violência sexual e acionou a polícia.
Uma agente de saúde, enviada ao local de trabalho do pai, comunicou‑lhe o estado da filha. Ao chegar ao hospital com os documentos da criança, ele foi abordado pelos policiais e admitiu o abuso. Após a confissão, solicitou acompanhamento psiquiátrico.
O corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) de Costa Rica para exames de necropsia e sexologia, que devem indicar as causas exatas da morte e confirmar a agressão.
Próximos passos
A Polícia Civil continuará colhendo depoimentos, analisando o prontuário médico e reunindo laudos periciais. Caso o envolvimento materno seja comprovado, novos indiciamentos serão formalizados. Enquanto isso, o pai aguarda decisão judicial sobre a manutenção da prisão preventiva em regime fechado.
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