O cenário em Bataguassu ganha um novo contorno: o que antes era considerado lixo pela indústria da silvicultura hoje se transforma em utilidade e renda nas mãos de mulheres que encontraram na costura uma nova perspectiva de vida. Com a inauguração da Casa da Costura Sustentável, nesta segunda-feira, 30 de março, a cidade consolida um modelo de economia circular que alia preservação ambiental e impacto social direto na comunidade local.
A nova estrutura é a sede oficial da Associação de Mulheres Empreendedoras da Costura Ipê Rosa, fruto de uma cooperação estratégica entre o programa Bracell Social (via MS Florestal), o Sebrae/MS e a administração municipal. O projeto converte uniformes usados, EPIs e big bags em acessórios de alto valor agregado, como bolsas e itens de decoração.
Um refúgio de autonomia e inclusão
Mais que uma oficina de produção, o espaço funciona como ponto de apoio para mulheres em situação de vulnerabilidade. O grupo é formado, em sua maioria, por mães atípicas e cuidadoras de familiares com deficiência ou neurodivergentes. Atualmente, são 12 integrantes fixas, enquanto outras seis estão em fase de capacitação.
A rede de solidariedade se amplia com parcerias do CRAS e da APAE, que encaminham novas participantes em busca de qualificação. Para a presidente da associação, Ana Nelly Castello Branco Sanches, a sede representa um marco de emancipação:
“A casa representa autonomia e liberdade. Tudo o que conseguimos produzir em salas emprestadas, agora ganha uma dimensão muito maior. Se lá fizemos grandes coisas, aqui faremos ainda mais.”
Expansão de mercado: rumo ao Sudeste
O sucesso da iniciativa já ultrapassou as fronteiras municipais. Após participarem de exposições de prestígio, como no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, as empreendedoras agora miram o mercado nacional. O plano prevê a entrada dos produtos em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A viabilidade financeira é reforçada pela MS Florestal, que adquire parte da produção, garantindo fluxo de caixa imediato. Josi Signori, gerente regional do Sebrae/MS, relembra a evolução técnica do grupo:
“Ver a beleza desse trabalho e lembrar de como tudo começou mostra o quanto essas mulheres evoluíram. Foram muitas horas de capacitação, consultorias e dedicação. Hoje, o projeto rompe barreiras, ganha espaço em feiras e mostra que o Ipê Rosa vai muito além do que imaginávamos no início. O resultado é um projeto que inspira e transforma realidades.”
Reconhecimento institucional
Autoridades presentes destacaram a relevância de modelos de negócio que privilegiam a economia criativa. O deputado estadual Caravina ressaltou a transição das participantes da invisibilidade para o protagonismo econômico:
“Estamos falando de mulheres que estavam na invisibilidade e hoje estão no mercado, mostrando seus talentos. Esse projeto, que começou pequeno, é motivo de orgulho para Bataguassu e mostra que, quando há união entre poder público, iniciativa privada e comunidade, os resultados aparecem.”
Reforçando a visão corporativa, Bruno Rabello Madalena, da MS Florestal, destacou:
“Esse projeto traduz exatamente o que acreditamos: inclusão produtiva, empoderamento feminino e desenvolvimento sustentável. E, mais do que isso, leva o nome de Bataguassu para outros lugares, mostrando a força dessas mulheres.”
Por fim, o vice-prefeito Cleyton Silva reiterou o compromisso da gestão com a continuidade da parceria, classificando a inauguração como o “primeiro passo” de uma trajetória que promete transformar a realidade social do Mato Grosso do Sul por meio da sustentabilidade.
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